Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia uma taxa Selic em 15%, a primeira reação de muitos brasileiros é se perguntar: “Isso é bom ou ruim para o meu bolso?”. A resposta depende do seu perfil financeiro e, principalmente, de como você organiza seus investimentos e dívidas. Neste artigo, vamos traduzir o “economês” para uma linguagem simples, mostrando com exemplos práticos os impactos dessa taxa no dia a dia.
O que é a Selic e por que ela está em 15%?

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela serve como referência para todos os tipos de crédito e investimentos. Quando o Banco Central aumenta a Selic, o objetivo principal é conter a inflação. Com juros mais altos, o consumo diminui, e os preços tendem a se estabilizar.
Entretanto, uma Selic em 15% não é algo comum. Ela reflete um cenário de inflação persistente e de busca por maior estabilidade econômica. Essa decisão impacta desde o rendimento das suas aplicações financeiras até o valor das prestações do seu financiamento.
Renda Fixa: a rainha do momento
Com juros tão altos, a renda fixa ganha destaque. Produtos como CDBs, Tesouro Selic e Tesouro IPCA+ oferecem retornos muito atraentes. Por exemplo:
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Um CDB pagando 110% do CDI com a Selic em 15% pode render mais de 1% ao mês líquido.
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O Tesouro IPCA+, além da taxa real de juros, protege contra a inflação.
Assim, quem investe em renda fixa consegue segurança e rentabilidade. Por isso, neste momento, a renda fixa se torna praticamente imbatível frente a outras modalidades.
E a poupança? Continua perdendo
Muitos brasileiros ainda deixam seu dinheiro na poupança. No entanto, com a Selic em 15%, essa é uma das piores escolhas. Isso porque a poupança rende apenas 0,5% ao mês + TR, ou seja, bem abaixo da inflação.
Imagine que você tenha R$ 10 mil aplicados por 1 ano:
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Na poupança, o rendimento seria em torno de R$ 600.
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Em um CDB de banco médio a 110% do CDI, o retorno passaria de R$ 1.200 líquidos.
A diferença é clara: deixar dinheiro na poupança significa perder poder de compra.
O impacto nos financiamentos
Se por um lado quem investe comemora, por outro quem precisa de crédito sente no bolso. Com a Selic em 15%, empréstimos e financiamentos ficam muito mais caros.
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Financiamento de carro: um veículo de R$ 70 mil, financiado em 60 meses, pode gerar parcelas que praticamente dobram em relação a períodos de Selic mais baixa.
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Financiamento imobiliário: a prestação de um imóvel de R$ 300 mil pode ficar centenas de reais mais cara, dificultando o acesso da classe média à casa própria.
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Cartão de crédito e cheque especial: que já tinham juros altos, se tornam ainda mais impagáveis.
Portanto, em momentos de juros elevados, a recomendação é evitar dívidas e postergar compras financiadas, sempre que possível.
Como se proteger e aproveitar o cenário
Agora que você entendeu os impactos, veja algumas estratégias práticas:
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Invista em renda fixa pós-fixada: produtos atrelados ao CDI ou à Selic acompanham a taxa e entregam bons retornos.
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Diversifique com Tesouro IPCA+: isso protege contra inflação futura e garante ganhos reais.
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Evite endividamento: se possível, antecipe parcelas ou negocie taxas com o banco.
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Monte uma reserva de emergência: aplicações de liquidez diária, como Tesouro Selic, ficam ainda mais vantajosas.
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Olhe para o médio prazo: quando a Selic cair, quem já tiver garantido taxas altas em investimentos prefixados pode lucrar ainda mais.
👉 Veja também: Cartão de crédito: vilão das dívidas ou aliado nos investimentos?
Um olhar histórico
Não é a primeira vez que o Brasil convive com juros altos. Em 2016, por exemplo, a Selic chegou a 14,25%. Na época, os investidores em renda fixa obtiveram ganhos expressivos, mas o consumo caiu drasticamente.
A história mostra que ciclos de juros elevados não duram para sempre. Portanto, além de aproveitar o momento para investir, é importante planejar-se para o futuro, quando as taxas voltarem a cair.
Conclusão
A Selic em 15% é um divisor de águas. Para quem investe em renda fixa, representa uma oportunidade única de multiplicar o patrimônio com segurança. Para quem depende de crédito, traz o alerta de endividamento caro e arriscado.
Assim, a chave está em ajustar sua estratégia financeira: investir mais, gastar menos e se preparar para os próximos movimentos da economia.
Se você deseja aprender a investir com segurança neste cenário, continue acompanhando nosso blog Eu Vou Ficar Rico. Além disso, recomendo acessar a página oficial do Banco Central do Brasil para acompanhar as decisões do Copom em primeira mão.